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    Escrito por Danielle Jardim
    Postado em 19 de outubro de 2017, na categoria Entrevistas & Protagonismo

    O Fernão Loureiro é turismólogo e atualmente trabalha como Strategic Travel & Events Manager na Philips América Latina (9 países), com premiação ganha após 8 meses na empresa (premiado em Amsterdam); Foi Eleito em 2017 como um dos 75 profissionais de Turismo mais influentes do Brasil ; Foi premiado em Boston (EUA) pela Global Business Travel Association com o “The Business Travel Service Awards” por sua contribuição para a indústria latino-americana; escreve para o Blog Panrotas e é colunista na Revista Espanhol “TravelManager Redacción”; Além de ser professor visitante do SENAC-SP, Fernão ainda é Presidente da GBTA Brasil (Global Business Travel Association) e Instrutor da GBTA Academy; Membro do Board da HSMAI Brasil (Hospitality Sales & Marketing Association International) e Coordenador do Comitê de Gestores de Viagens; foi Gerente Regional de Compras de Viagens, Frota e Eventos LATAM para Ambev e Souza Cruz e Gestor de Viagens – Embaixada Americana no Brasil; Account Manager na Carlson Wagonlit Travel Brasil e Account Coordinator na Carlson Wagonlit Travel Austrália;Já foi Jurado do Camp da Inovação SEBRAE e Panrotas 2016 e participou do grupo Travel Managers Group, tradicional associação do setor; Por fim, ele ainda tem seus artigos publicados internacionalmente e é um ativo participante de debates e palestras (CTF, GBTA, LACTE, Connect Meeting GOL, Vila do Saber ABAV, Fóruns de TMCs e Convenções de Vendas de Redes Hoteleiras como Blue Tree, Arco, Atlantica, BHG);

    – Ufa! O Fernão é o meu exemplo prático e motivo real de que você também é capaz – e deve – sair da sua bolha e não se limitar na sua formação. Conheci seu trabalho durante as minhas pesquisas no LinkedIn, depois de conferir a notícia do site Panrotas, sobre quem eram os 75 mais influentes do turismo. Não pensei duas vezes em chamá-lo para contar um pouco da sua história pra gente.

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    Assim como muitos o Fernão também tinha outra graduação em mente, mas resolveu optar pelo turismo:

    Meu objetivo inicial era ser Diplomata, mas é uma profissão muito elitizada e restritiva – em geral, apenas famílias de altíssima renda conseguem sustentar os estudos e custos paralelos de seus filhos na fase preparatória. Minha família é de classe média, então optei pelo Turismo por me permitir conviver com culturas e a possibilidade de viajar que a Diplomacia também me traria. Prestei então um vestibular público, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de SP (antigo CEFET-SP) para a faculdade de Turismo, e entrei em 3º lugar em 2005.
    Havia muita insegurança minha e da minha família sobre minha escolha, mas o tempo mostrou que fiz a escolha certa. A faculdade sem dúvida te abre as portas do mercado, mas sustentar-se nele só depende de você e da mistura e equilíbrio de suas Competências, Habilidades e Atitudes. Não tem segredo, tem que trabalhar bem, ser honesto e se desafiar permanentemente, jamais deixar alguém te impedir de mostrar seus talentos.

    Quando falo que devemos sair de nossas bolhas, da nossa zona de conforto, é porque não devemos nos limitar e subestimar a nossa capacidade de ir além e ser mais de nós mesmos! Um MBA, um curso livre, de extensão, na sua área ou em outra, pode nos dar uma visão e um posicionamento diferente na nossa carreira:

    Após ter formação superior em Turismo, e pelo fato de sempre ter sonhado em ser um homem de negócios, sabia que tinha que adquirir conhecimentos para me tornar um Executivo, independente de ser de Turismo ou não. Ou seja, saber administrar, vender, comprar, relacionar-me e falar inglês e espanhol fluentemente (ambas línguas aprendi por conta própria, e fiz aulas de aperfeiçoamento). Por isso, optei por fazer uma pós-graduação em Gestão de Negócios em Serviços, pela UNIFECAP e posteriormente um MBA em Gestão Empresarial, pela BBS – Brazilian Business School. Tenho planos de me formar Coach de vida e de carreira, pois tenho gestão de pessoas no sangue, e obter uma formação stricto sensu de Mestre e Doutor no Turismo.

    A escolha da área para trabalhar

    Sempre tive interesse e sabia que era neste ramo que queria atuar (até por querer ser um homem de negócios), mas na faculdade nem sonhava que era o que realmente é! Um mundo efervescente, dinâmico, diria até que atropelado – mas apaixonante. Em minha carreira, sempre estive fora do tradicional nos meus trabalhos e a maneira como as coisas aconteceram.

    Iniciei minha história como estagiário da Carlson Wagonlit Travel (maior agência corporativa do mundo) há quase 11 anos, trabalhei por quase 1 ano em sua filial na Austrália e fui convidado por um de seus clientes para me tornar Gestor de Viagens quando tinha quase 6 anos de empresa. Ou seja, faz 5 anos que sou comprador e tive a honra de trabalhar para grandes organizações, como a Embaixada dos EUA, Souza Cruz, Ambev e agora na Philips, administrando as áreas de Viagens e Eventos na América Latina (processos, política de viagens, compras, suportando projetos de outras áreas – afinal não existem negócios sem viagens corporativas)

    A multidisciplinaridade na prática

    Como presidente voluntário da GBTA Brasil, vamos trabalhar muito para que a associação alcance no Brasil a devida expressividade e referenciamento como a maior e mais relevante entidade de viagens corporativas do mundo deve ter. Não vamos medir esforços para se tornar realidade, justamente porque ela tem um papel de catalisadora de discussões, mudanças e conexão entre as pessoas. Estou comprometido com a nossa liderança regional, e com a capacitação, certificação e desenvolvimento profissional, sempre com base nas boas práticas de gestão.
    Já o meu trabalho na Philips consiste em administrar todos os contratos com fornecedores de viagens corporativas e os intermediários pelos quais os executamos (agências de viagens, eventos, ferramentas de reservas que os viajantes utilizam), orientar viajantes para o cumprimento da política de viagens da empresa, revisitar processos internos para que eles solicitem, aprovem e peçam reembolso de maneira rápida estas despesas e sejam mais produtivos, e principalmente, apoiar a empresa nos processos permanentes de expansão dos negócios e controle/redução de custos com viagens de trabalho. Esse é o papel essencial de qualquer gestor de viagens e eventos, independente da empresa em que atue.

    Até por isto também consigo dar aula nos cursos de Turismo no SENAC, com a junção de experiências mercadológicas mas também associativas, setoriais. O melhor profissional é aquele que é do mercado, mas que atua em uma empresa – procuro sempre ter atuação múltipla.

    Dicas para você que quer trabalhar com Viagens Corporativas

    Ter cabeça de empreendedor, tomar riscos, ser um excelente administrador de recursos (tempo, dinheiro, pessoas, , energia, tecnologia), dinâmico e entender que o que fazemos é fundamental para qualquer empresa, não existem negócios, vendas, fusões, aquisições, treinamentos, etc sem viagens corporativas, e elas requerem gestão justamente porque são usadas desde o Presidente do Conselho de Administração até o chão da fábrica, do RH à TI … administrar esta categoria estrategicamente é fundamental.

    Ser formado em Turismo é o mais óbvio, mas recomendo especializar-se, fazer um MBA, ou Mestrado acadêmico, em outra área de conhecimento. Ampliar a formação é fundamental, pois o Turismo prático, aquele do mercado de trabalho, requer conhecimentos, habilidades e atitudes de gestão de pessoas, finanças, vendas, marketing, projetos e tecnologia. Para quem quer seguir um Turismo mais voltado ao desenvolvimento e gestão de destinos, mais envolvido com setor público, realmente deve se especializar em Turismo, mas mesmo para estes também recomendo uma pós ou graduação em Administração.

    A rotina de quem trabalha com Viagens Corporativas

    Em geral temos pouca rotina, mas ter pouca rotina não quer dizer não administrar bem seu tempo. Esse é o segredo para não se perder na ausência/redução de rotina.

    O profissional, em geral, tem uma agenda extensa de reuniões com fornecedores (pense que temos no mínimo 1 agência de viagens – alguns tem até 4 dependendo do tamanho da empresa – 1 agência de eventos, 4 Cias Aéreas domésticas, Cias. Aéreas internacionais, Redes Hoteleiras, Locadoras de Veículos, Cartões de Crédito, ferramentas de tecnologia para integrar tudo isto) para reuniões de renovação de acordos comerciais, acompanhamento de resultados, alinhamento de processos. Fora o fato de que alguns de nós também é responsável por outras áreas na empresa, como Frota Corporativa, Refeitórios, Fretados dos colaboradores, etc.

    Além disso, naturalmente temos muitas reuniões internas para treinar usuários, dar suporte, endereçar assuntos, definir projetos que lideramos ou que participamos. A área de Viagens é multidisciplinar, nosso trabalho impacta RH, TI, Jurídico, Relações Institucionais, Vendas, Marketing, Compras. Não se trata apenas de cargos (presidente, diretores, gerentes), a gente realmente chega na empresa inteira através das áreas que suportamos.

    Sobre a sua experiência na Phillips

    Dentre tantos que podemos destacar, sem dúvida a conectividade entre fornecedores finais, intermediários, plataformas de gestão e a frequente dúvida se temos a melhor estratégia de “sourcing” e aquisição para nossas empresas (para os gestores que não se acomodam, naturalmente). Diria que nossa luta principal, atualmente, é por valores: fornecedores transparentes em suas práticas, e isso não inclui apenas remuneração, mas o relacionamento como um todo; e a valorização da nossa profissão, pois gerir viagens e eventos é relevante e estratégico, e as empresas aos poucos vão se dando conta disto no Brasil (mesmo as globais que já tem programas maduros e mais estabelecidos no País). Tive muita sorte ao longo de minha carreira por trabalhar com gestores, colegas e em empresas que me ensinaram muito, desde administrar recursos a me relacionar corporativamente.

    O mercado das Viagens Corporativas nos dias atuais

    Sem dúvida alguma! Como em todos os setores, a automatização corta empregos que não agregam mais valor, e criam-se outros pois as necessidades vão mudando na vida dos seres humanos. Os empresários, empreendedores, viajantes precisarão cada vez mais de consultores especializados em viagens corporativas, tanto para atendê-los antes, durante e após a viagem, quanto para administrar políticas, processos e orçamentos, como um gestor de viagens faz (a posição que exerço).

    Leia também: Inseri uma ideia com as turismólogas fundadoras do Guia Suíça

    Você também provavelmente já pensou em desistir, fazer outra faculdade ou trancar a graduação, mas a nossa dica é que você siga o conselho de Fernão, que também já passou por esta fase:

    No começo da carreira, entre 2007 e 2009, pensei várias vezes em enveredar por qualquer coisa que me pagasse mais (especialmente porque tinha amigos turismólogos em outras áreas, ganhando mais que eu – inclusive no Lazer). Em 2010 passei 1 ano na Austrália , como comentei antes, e quando retornei minha carreira começou a ascender. Hoje tenho a remuneração e benefícios justos em minha opinião, fora todo o reconhecimento que venho obtendo…. não me passa nem 1 minuto na cabeça desistir deste setor, e adotei o Turismo como minha causa voluntária para ajudar a sociedade brasileira e retribuir tudo que recebi em minha faculdade pública … sabe aquele negócio de ajudar os idosos, as crianças, as tartarugas do Projeto Tamar ☺? Eu ajudo financeiramente, mas coloco de fato minha energia e conhecimento à disposição do Turismo, pois acredito que ele tem a força propulsora de mudar esse País, tirar pessoas da violência, situação de rua, dar oportunidades! O Turismo deu tudo que consegui até hoje, sou extremamente grato a ele e faço tudo que posso para melhorá-lo, profissionalizá-lo e impulsioná-lo. Não desistam!

    Confira o conteúdo do Fernão Loureiro no Panrotas, com o blog Gestor de Viagens e no TravelManager.

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