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    Escrito por Danielle Jardim
    Postado em 11 de Abril de 2017, na categoria Carreiras em Turismo

    A escala 6×1 pode ser cansativa sim, mas o trabalho em albergues tem suas vantagens. Mas, é importante que, além de disposição, você tenha o perfil adequado para ser profissional trabalhando com a informalidade.

    Trabalhei em dois tipos diferentes de albergues. Assim como a hotelaria, os albergues também possuem sua diferenciação em relação a arquitetura, proposta e decoração. De início eles vieram com a ideia de ser o mais simples possível, porém com qualidade, para que se pudessem ser cobradas diárias mais em contas. Um hostel geralmente serve o café da manhã, possui os famosos quartos compartilhados (ou dormitórios) femininos, masculinos ou mistos, além dos banheiros compartilhados.

    Com o mercado cada vez mais competitivo, automaticamente foi se criando a necessidade de inovação quanto a estrutura, novas propostas de serviços e gerenciamento destes empreendimentos. Hoje, existem albergue em que você paga praticamente o mesmo valor que de um hotel entre duas e três estrelas, por exemplo. Além dos hostels boutiques, design hostel, surf hostels, etc.

    Então, você tem a possibilidade de trabalhar em um tradicional, onde se pode usar de shorts, bermudas, saias e até chinelos, como já trabalhei. Ou, um hostel que o uso dos chinelos e saias não são permitidos, se for uma rede, por exemplo, até as bermudas podem ser padronizadas. E no final todos eles possuem uma característica em comum: A de promover o intercâmbio cultura através de um atendimento personalizado e informal.

    1. Escala de folgas inflexível

    Com a escala 6×1 você poderá ser o único na recepção, dependendo da temporada ou da previsão de ocupação na semana. Os horários também são padronizados, obviamente de acordo com a necessidade de cada empreendimento, geralmente o turno da manhã é inciado às 7h, já o da tarde às 15h ou 16h. Dependendo do albergue, você tem a possibilidade de ser um auditor noturno, mas acreditem, tem hostel que colocam seguranças para trabalharem na recepção como forma de minimizar custos, mas maximizar os problemas.

    Se você é do tipo que não dispensa uma festa na sexa à noite e todo final de semana, tenha em mente que no dia seguinte, deverá estar na recepção novamente. Se está com muitas matérias na faculdade, não sugiro que entre nem em albergue e em hotéis, eu já repeti matéria porque não conseguia nem chegar na faculdade e focar no assunto de tanto estresse e cansaço.

    2. Aptidões:

    Uma das qualidades que os recrutadores mais procuram, de acordo com as entrevistas que participei, é se você é extrovertido, desinibido, mas principalmente flexível. Ou seja, ter um colaborador tímido não quer dizer que você não vá conseguir a vaga, mas que provavelmente não será o primeiro na lista de contratação. Se você não sabe, praticamente todos os albergues oferecem passeios e festas em parcerias com agências e empresas que os promovem.

    Então, uma porcentagem destas vendas vai para a recepção em forma de comissão e é distribuída de acordo com as regras de cada hostel. Além disso, uma das habilidades que deverá ter ou quem sabe, poderá ser adquirida com a experiência no ambiente é a de ser discreto e observador. Afinal, com tanta informalidade e a porta “sempre aberta”, é comum entrarem pessoas que não estão hospedadas, sendo elas conhecidas ou não de hóspedes, pessoas que queiram dormir até no sofá, etc.

    3. Benefícios e salários:

    Pode ser que alguns ofereça ticket alimentação como um dos benefícios, mas todas as entrevistas que participei ou hostels que trabalhei só me ofereceram o salário ou bolsa auxílio e o vale transporte. Até porque, se o hostel serve almoço, você provavelmente poderá almoçar por lá ou levar sua comida, como também fazer sua própria comida na cozinha do empreendimento. Os salários, de acordo com o que tenho visto tanto nas redes socais, quanto aos que me foram oferecidos, variam entre R$800,00 a R$1.400,00, sem contar com comissões ou bônus. Mas já fui para um entrevista de um hostel onde a vaga para estágio me oferecia R$450,00.

    4 – Ambiente de trabalho:

    Como eu disse, a proposta do empreendimento é que irá influenciar no tipo de profissional que você deverá exercer. Por exemplo, o primeiro albergue que trabalhei era de uma rede, mas a franquia estava em plena inauguração. O gerente fez da sua antiga casa o ambiente para se tornar um albergue e de sua mãe a verdade ama de casa. Então, até ligar para fornecedores ao invés de focar em aprender a usar o sistema eu tive que fazer, além de ligações para desbloquear máquinas de cartões, etc.

    Como também, já trabalhei em um que eu basicamente desempenhava as funções só de recepcionista e assistente de reservas, assim como todos os meus outros colegas de trabalho. Ou seja, ajudava o departamento de reservas com as solicitações, realizava os procedimentos de check in, check out, dava atenção aos hóspedes, atendia a telefonemas e marcava passeios, transfers, dentre outras funções.

    5. Atendimento informal:

    Atender informalmente significa não precisar ser côrtes, mas possuir o mesmo profissionalismo, resumidamente falando. Muita gente acha que só porque o albergue não exige um uniforme mais formal e nem este tipo de atendimento é que podem sair falando e fazendo o que querem. Assim como em qualquer ambiente de trabalho, falar palavrão, bater no “ombrinho” do hóspede, sentar no sofá como se estivesse em casa, quer dizer que você só está sendo folgado.

    Até porque, apesar de uma abertura maior para conversar com hóspedes, há de se ter muito cuidado. Pois eles voltam achando que são nossos amigos – e podem até ser -, mas eles não estão em casa e nem você. Saber lidar com atendimento informal é muito importante nestas horas, para não criar um hóspede fanfarrão e folgado.

    6. Carreira Profissional não linear

    A possibilidade de subir no cargo é de acordo com o tipo de gerenciamento, mas carreira não significa subir de cargo. Se o albergue só possui sócio famintos por dinheiro e chefes, provavelmente as chances de ganhar um novo cargo é bem pouca, ainda mais se o empreendimento ainda for uma microempresa. Mas isso não queira dizer que seja impossível.

    No último albergue que trabalhei, entrei em 2014 como recepcionista, no meu sétimo mês eu já estava cobrindo as férias do gerente administrativo. Saí. Voltei em 2015 e tive a mesma oferta de cuidar do administrativo e financeiro durante as férias da gerente, quando voltou, fiquei sendo sua assistente financeira e administrativa.

    7. É uma ótima oportunidade de fazer networking com hóspedes

    Tem toda aquela troca de cultura, com possibilidades de bater um papo com os hóspedes, conhecer mais sobre a cidade de onde ele vem, etc. Além disso, você tem a chance de conhecer gente que tem empresa, gente que tá inovando lá fora ou turista que te conta sobre uma hospedagem diferente que ele já trabalhou ou que tenha visitado. Em um dos albergues que passei eu atendia muito brasileiro, muitos que moravam fora, que viviam viajando ou que tinham algum negócio. Foi lá que comecei a ter ideias de negócio, de conteúdo, de tema para minha monografia e artigos.

    Além do networking com outros profissionais, de outros setores. Como se marca muitos passeios e festas, você acaba entrando em contato com agências, guias de turismo, transportadores e até donos de empresas que chegam a recepção para informar sobre um produto novo. Conheço gente que migrou de área através desta oportunidade de conexão com os fornecedores diariamente.

    8. Treinamento de idiomas

    Se você só arranha no inglês, espanhol ou qualquer outra língua, mas tem disposição para praticar, esta também é uma possibilidade. Afinal, não estará usando só o inglês técnico. Digo isso, porque o inglês para falar sobre reservas com alguém da Booking ou da Decolar é totalmente diferente de quando se conversa com um hóspede.

    Além disso, você pode aprender novas gírias e formas de falar. Dentre esses anos, aprendi bastantes expressões e gírias com hóspedes que se hospedavam de um a dois meses. Tanto em espanhol, com um chileno e um britânico, ambos ficaram cerca de dois meses hospedados e sempre me ensinavam novas expressões, palavras e gírias.

    Cada albergue possui a sua regra, seus procedimentos operacionais, seus sistemas, mas todos basicamente se igualam em relação ao tipo de profissional que esperam que você seja. Mas e você, já trabalhou em albergues também? Conta como foram suas experiências nos comentários! Assim, a gente amplia ainda mais o conhecimento para outros estudantes e turismólogos que querem ingressar neste mercado.

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