Turismo Criativo: uma oportunidade de negócio no Brasil
Carreiras em Turismo setembro 4, 2018 Turismo Criativo: uma oportunidade de negócio no Brasil
Escrito por Gabriela Araujo

O turismo criativo é um conceito que surgiu primeiramente na Europa no início dos anos 2000, mais tarde alcançando os Estados Unidos e alguns países asiáticos e por fim chegando ao Brasil entre os períodos de 2013 e 2014.

Apesar de já ter passado cinco anos de sua “descoberta” por aqui, é um nicho pouco explorado no país. É com certeza um ramo com bastante potencial de desenvolvimento devido à diversidade de características que as terras brasileiras ofertam.

Um campo descoberto e não muito divulgado, acabou caindo na obscuridade. Nem um bom produto consegue criar raízes sem mídia; ainda assim, há tempo para fazê-lo florescer.

Quer entender melhor sobre ele? É só continuar lendo:

Afinal, o que é turismo criativo?

Nascido como uma vertente do turismo cultural, o turismo criativo é um nicho que convida o visitante a vivenciar atividades típicas do destino de maneira criativa. Está ligado ao exercício de práticas artísticas como música, gastronomia e artesanato e geralmente utiliza o aprendizado como ferramenta de trabalho, através de oficinas, cursos e workshops.

Não deve ser confundido com o turismo de experiência que, embora também incentive a imersão do turista na cultura local, permite que isto se dê de forma passiva. O turismo criativo impele que o visitante se envolva ativamente na tarefa, imprimindo nela a sua própria personalidade e depositando ali um pouco de si mesmo.

É entendido por alguns como o “novo turismo” ou o “turismo do futuro” devido à tendência cada vez mais crescente de viajantes que buscam por vivências únicas e fora do comum, além de diferentes maneiras de conhecer uma localidade.

Por que ele é uma boa opção?

O turismo criativo é uma proposta inovadora que permite que uma empresa se destaque com um diferencial. Uma das diretrizes do turismo é promover a troca e este nicho certamente viabiliza este cenário.

Aqui o turista não somente é ensinado, como também ensina, pois há uma plataforma que lhe dá espaço para tal. Ele sente que não só aceita o que lhe é dado como também constrói a vivência que deseja ter.

É uma boa forma de diversificar a oferta turística já existente ou aperfeiçoar produtos/serviços que se tornaram obsoletos. Também é uma maneira de combater a sazonalidade de um destino.

Funciona como instrumento de descentralização geográfica de atrativos turísticos, direcionando o olhar do turista a outras áreas. Da mesma forma, incentiva o casamento multidisciplinar entre segmentos turísticos distintos.

Por fim, serve como uma forma de valorizar costumes locais e valorizar tradições bem como permite que a população participe mais da atividade turística, desenvolvendo produtos sustentáveis para a região além de interagir com os visitantes.

Como identificá-lo como oportunidade de negócio?

O primeiro passo para reconhecer uma oportunidade é descobrindo se há demanda e em caso afirmativo, dedicando-se à entendê-la. O turista que se interessa por este nicho deseja viver uma experiência diferente e se integrar ao destino por completo.

O slogan “viva a cidade como um residente” está mais em alta do que nunca. O visitante não se satisfaz mais somente com as atrações turísticas famosas, ao invés busca por práticas de origens diferenciadas que vão de turismo de aventura ao religioso e tenta reunir tudo isso na mesma viagem.

Após experimentar uma prática de turismo criativo, dificilmente será satisfeito pelas atividades convencionais; ele desejará ser incessantemente surpreendido. Oportunidade de inovar: ofereça a ele o que deseja com a chance de ainda deixar a sua própria marca.

Feito isso, é hora de criar ou aliar produtos e serviços já existentes de acordo com as premissas do turismo criativo, mantendo em mente que neste nicho é importante deixar espaço para que o turista não só ouça como também possa falar.

Não é preciso inventar um produto, talvez seja suficiente reformulá-lo ou construir uma nova ideia a partir de dois produtos. É o caso de Bento Gonçalves, que idealizou um roteiro que une o enoturismo ao turismo esportivo.

Cases de Sucesso

Em Grasse (França), conhecida como a capital do perfume, é possível criar sua própria fragrância em perfumarias como a Galimard. Em Duduá (Barcelona) pode participar de workshops de cerâmica e em Buenos Aires (Argentina) pode aprender a dançar tango.

No Brasil, Porto Alegre deu o pontapé inicial criando o primeiro programa do gênero chamado Programa Porto Alegre Turismo Criativo. Ele visa incentivar experiências de aprendizagem com oficinas artísticas-culturais de artes cênicas, literatura, tradicionalismo gaúcho, etc.

Em Petrópolis (RJ), o famoso Museu Imperial promove o Sarau Imperial, uma encenação da Princesa Isabel e outras figuras femininas a partir de canções, poesias e debates sobre pautas sociais. A plateia interage por meio da leitura, performances musicais e declamações no palco com o elenco além da possibilidade de expressar opiniões sobre temas apresentados.

É também possível solicitar um tour diferente com a empresa Sabiar, que além de eventos também organiza experiências como uma visita ao Beco do Batman seguida de um workshop de grafite com temas e desenhos definidos pelos participantes.

Há um universo de possibilidades aguardando somente que alguém as reconheça. Em um país vasto como o Brasil, pode-se circular por entre diferentes áreas e agradar públicos com interesses distintos.

Existem negócios que implantam o turismo criativo em suas atividades sem saber disso, já que o termo é pouco trabalhado. Sendo assim, a consolidação do nicho é dificultada.

É um trabalho de conscientização e é possível de ser realizado porque tem potencial. Na pluralidade atual de opções, é preciso que cada vez mais incentivemos a inovação.

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Escrito por Gabriela Araujo

Autora do blog de viagens Negra em Movimento | Turismóloga com 3 anos de experiência iniciando trajetória na área de produção de conteúdo, com foco nos temas acerca de turismo e entretenimento.

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